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Entrevista – Ana Paula Baldini Reis

21 abr

A Ana Paula está desde agosto de 2009 na Inglaterra, no programa de trabalho voluntário da Abic, o mesmo que fiz em 2008. Como muitas pessoas me perguntam sobre a experiência que tive – que eu já relatei aqui aqui e aqui no blog -, acho interessante buscar outras experiências e opiniões, pois cada vivência é pessoal e intransferível, não é mesmo? Pois aí vai o relato da Ana. Para ela, que em poucos meses estará de volta ao RS, desejo Boa Sorte nesta reta final de intercâmbio e aproveita bastante!

Qual foi a primeira impressão ao chegar à Inglaterra? O primeiro impacto?
Ao descer no aeroporto de Heathrow, a minha impressão foi a pior possível, porque tive que enfrentar uma agente de imigração muitíssimo mal-humorada. Não compreendia o que eu dizia e tampouco eu assimilei o que ela dizia, pois estava nervosa demais. Talvez tenha dito palavras grosseiras, não sei ao certo. Mas recebi ajuda de um indiano que inspecionava os guichês de imigração. A essa altura já estava caída em lágrimas, mas ele pediu que não chorasse e me levou até o setor onde deviam carimbar meu atestado de saúde. Então, depois ele me mostrou a saída e onde devia pegar minha mala. Fiquei perdida uns 45 minutos até encontrar a saída e nesse, meio tempo, me deparei novamente com a simpática inglesa da imigração. Depois fui até o salão de chegada de voos, onde pessoas aguardam outras pessoas com plaquinhas nas mãos (fulano de tal). Havia um homem com uma folha impressa escrita ICYE. Depois disso, ele tentou conversar comigo, mas eu não entendi sequer uma palavra do que aquele inglês falou, porque, ainda por cima ele, era gago. Bom, minha primeira impressão não foi das melhores. Mas assim que pegamos um ônibus para ir até o local do primeiro acampamento do ICYE, e vi através da clarabóia o Big Ben mostrando a hora exata, agradeci a Deus por estar naquele instante realizando um dos meus sonhos.

O que você achou da cultura local e das pessoas? O que mais estranhou ou achou diferente?
O que mais estranhei foi a indiferenca com que alguns nos trataram. Antes vale explicar que estou aqui na Inglaterra por um programa de voluntariado remunerado, trabalhando com pessoas com paralisia cerebral, num centro onde aqui eles vivem. Algumas vezes são visitados por familiares e amigos, mas a maior parte fica dentro das instalações do projeto, às vezes saindo para alguma atividade fora, como karaokê, visita ao zoológico, restaurantes, enfim. E ainda vale lembrar que é um pequeno distrito, bairro, localizado à uma hora e vinte de Londres. O homem que nos buscou na estação, um dos trabalhadores do centro, não trocou uma palavra conosco, nem sequer um bom dia. Ainda hoje, quando temos que trabalhar no mesmo grupo que ele, nao nos dá a mínima atenção. Somos quatro brasileiros, uma mexicana, dois hondurenhos e quatro alemães, todos trabalhando como voluntários e exercendo atividades com os residentes nesse mesmo centro. Sei que se me prolongar nas respostas, as pessoas que estao lendo desistirão de ler as outras perguntas, portanto, em síntese, o povo é frio, talvez alguns deles acreditem que a ilha da Grã-Bretanha é o centro do mundo, pois parecem não se interessar por acontecimentos exteriores. Ressalto que esse é um típico clima de interior, onde nao existe uma concepção maior sobre o mundo, creio eu. Por isso nos primeiros meses foi díficil me acostumar ao desconforto que sentia. Acredito que essa desatenção e frieza tenham sido o que mais me chocou. Outro ponto importante é a comida, que é horrível. Nao tem o menor prazer em prepará-la, pois encontram tudo pronto nos mercados e largam direto no microondas por alguns segundos miseráveis. Dificilmente você vai comer algo palatável na Inglaterra.

Fale um pouco do trabalho do seu projeto e as suas atividades que realiza.
Acho que me adiantei nas respostas, but, anyway. Mas posso exemplificar as atividades com os residentes, que consiste em ouvir música com os mesmos, ajudar nas aulas de história, artes, entre outras, fazer chá e café nos intervalos, alimentar aqueles que não conseguem fazer isso sozinhos e, de vez em quando, lavar alguma louça nos grupos, após o almoco ou o chá das cinco. Depois de algum tempo, você estreita laços com alguns dos residentes e eles se tornam pessoas muito especiais e importantes para a sua estadia por aqui. No primeiro instante, foi chocante ao ver todos dependentes a cadeiras de rodas e com extrema dificildade para movimentar braços e pernas. Extrema dificuldade na fala também, sendo que você descobre muitas outras formas de comunicação depois que se trabalha com esse tipo de situação.

O que está achando  da experiência do trabalho voluntário no exterior?
O projeto em que estou inserida é flexível, temos duas folgas semanais e duas outras a cada mês trabalhado. E ainda outra folga se trabalharmos em feriados nacionais. Portanto, podemos manejar nosso tempo e programar viagens de uma semana quase todos os meses. O trabalho é bacana e eu recomendaria para quem está pensando em aperfeicoar o inglês, viajar pela Europa, abrir a cabeça, amadurecer.

Para quais lugares vc já viajou? Qual foi o lugar preferido e pq?
Vou a Londres uma ou duas vezes por mês, em média. Em outubro estive em Paris, que é deslumbrante! Uma cidade encantadora, com história viva a cada esquina. Estive também em Madrid e em Porto em novembro. Madrid me lembrou muito os grandes centros urbanos latinos, um pouco mais organizada e com um sistema de transporte eficiente, mas nada muito fascinante (a não ser o museu do Prado e o parque do Bom Retiro). E Porto, em Portugal, é uma cidadezinha pequena, antiga, mas com uma bela vista a beira do Rio Douro, e umas ruas estreitas cheia de casinhas multicoloridas. Vale ressaltar que andar de bondinho elétrico foi uma experiência maravilhosa, e também que o pôr-do-sol às margens do oceano Atlântico em Porto é um espetáculo divino (especialmente se você tem oportunidade de assisti-lo no seu aniversário, assim como eu tive). Entretanto, Paris foi meu lugar predileto, até o momento.

Faça um balanço desse intercâmbio até agora. Está correspodendo às suas expectativas?
Sim, está, e não me arrependo da escolha que fiz. Estou amadurecendo, me conhecendo melhor (talvez isso seja o mais importante de quando se cria asas), conhecendo lindos lugares, aperfeiçoando meu inglês, fazendo amigos de todas as nacionalidades, e também valorizando ainda mais minha terra e meus valores, pois aqui voce dá mais valor ao ambiente que cresceu.

Alguma dica para quem pretende se aventurar num programa de voluntariado no exterior?
Arriscar-se é a melhor opção, pois somente depois de estar aqui você pode dimensionar o que estou dizendo.

A Ana Paula está desde agosto de 2009 na Inglaterra, no programa de trabalho voluntário da Abic, o mesmo que fiz em 2008. Como muitas pessoas me perguntam sobre a experiêencia que tive – que eu já relatei aqui no blog -, acho interessante buscar outras experiências e opiniões, pois cada vivência é pessoal e intransferível, não é mesmo? Pois aí vai o relato da Ana. Para ela, que em poucos meses estará de volta ao RS, desejo Boa Sorte nesta reta final de intecâmbio e aproveita bastante!


1 – Qual foi a primeira impressão ao chegar à Inglaterra? O primeiro impacto?

Ao descer no aeroporto de Heathrow, a minha impressão foi a pior possível, porque tive que enfrentar uma agente de imigração muitíssimo mal-humorada. Não compreendia o que eu dizia e tampouco eu assimilei o que ela dizia, pois estava nervosa demais. Talvez tenha dito palavras grosseiras, não sei ao certo. Mas recebi ajuda de um indiano que inspecionava os guichês de imigração. A essa altura já estava caída em lágrimas, mas ele pediu que não chorasse e me levou até o setor onde deviam carimbar meu atestado de saúde. Então, depois ele me mostrou a saída e onde devia pegar minha mala. Fiquei perdida uns 45 minutos até encontrar a saída e nesse, meio tempo, me deparei novamente com a simpática inglesa da imigração. Depois fui até o salão de chegada de voos, onde pessoas aguardam outras pessoas com plaquinhas nas mãos (fulano de tal). Havia um homem com uma folha impressa escrita ICYE. Depois disso, ele tentou conversar comigo, mas eu não entendi sequer uma palavra do que aquele inglês falou, porque, ainda por cima ele, era gago. Bom, minha primeira impressão não foi das melhores. Mas assim que pegamos um ônibus para ir até o local do primeiro acampamento do ICYE, e vi através da clarabóia o Big Ben mostrando a hora exata, agradeci a Deus por estar naquele instante realizando um dos meus sonhos.

2 – O que você achou da cultura local e das pessoas? O que mais estranhou ou achou diferente?

O que mais estranhei foi a indiferenca com que alguns nos trataram. Antes vale explicar que estou aqui na Inglaterra por um programa de voluntariado remunerado, trabalhando com pessoas com paralisia cerebral, num centro onde aqui eles vivem. Algumas vezes são visitados por familiares e amigos, mas a maior parte fica dentro das instalações do projeto, às vezes saindo para alguma atividade fora, como karaokê, visita ao zoológico, restaurantes, enfim. E ainda vale lembrar que é um pequeno distrito, bairro, localizado à uma hora e vinte de Londres. O homem que nos buscou na estação, um dos trabalhadores do centro, não trocou uma palavra conosco, nem sequer um bom dia. Ainda hoje, quando temos que trabalhar no mesmo grupo que ele, nao nos dá a mínima atenção. Somos quatro brasileiros, uma mexicana, dois hondurenhos e quatro alemães, todos trabalhando como voluntários e exercendo atividades com os residentes nesse mesmo centro. Sei que se me prolongar nas respostas, as pessoas que estao lendo desistirão de ler as outras perguntas, portanto, em síntese, o povo é frio, talvez alguns deles acreditem que a ilha da Grã-Bretanha é o centro do mundo, pois parecem não se interessar por acontecimentos exteriores. Ressalto que esse é um típico clima de interior, onde nao existe uma concepção maior sobre o mundo, creio eu. Por isso nos primeiros meses foi díficil me acostumar ao desconforto que sentia. Acredito que essa desatenção e frieza tenham sido o que mais me chocou. Outro ponto importante é a comida, que é horrível. Nao tem o menor prazer em prepará-la, pois encontram tudo pronto nos mercados e largam direto no microondas por alguns segundos miseráveis. Dificilmente você vai comer algo palatável na Inglaterra.

Fale um pouco do trabalho do seu projeto e as suas atividades que realiza.

Acho que me adiantei nas respostas, but, anyway. Mas posso exemplificar as atividades com os residentes, que consiste em ouvir música com os mesmos, ajudar nas aulas de história, artes, entre outras, fazer chá e café nos intervalos, alimentar aqueles que não conseguem fazer isso sozinhos e, de vez em quando, lavar alguma louça nos grupos, após o almoco ou o chá das cinco. Depois de algum tempo, você estreita laços com alguns dos residentes e eles se tornam pessoas muito especiais e importantes para a sua estadia por aqui. No primeiro instante, foi chocante ao ver todos dependentes a cadeiras de rodas e com extrema dificildade para movimentar braços e pernas. Extrema dificuldade na fala também, sendo que você descobre muitas outras formas de comunicação depois que se trabalha com esse tipo de situação.


O que está achando  da experiência do trabalho voluntário no exterior?

O projeto em que estou inserida é flexível, temos duas folgas semanais e duas outras a cada mês trabalhado. E ainda outra folga se trabalharmos em feriados nacionais. Portanto, podemos manejar nosso tempo e programar viagens de uma semana quase todos os meses. O trabalho é bacana e eu recomendaria para quem está pensando em aperfeicoar o inglês, viajar pela Europa, abrir a cabeça, amadurecer.


Para quais lugares vc já viajou? Qual foi o lugar preferido e pq?

Vou a Londres uma ou duas vezes por mês, em média. Em outubro estive em Paris, que é deslumbrante! Uma cidade encantadora, com história viva a cada esquina. Estive também em Madrid e em Porto em novembro. Madrid me lembrou muito os grandes centros urbanos latinos, um pouco mais organizada e com um sistema de transporte eficiente, mas nada muito fascinante (a não ser o museu do Prado e o parque do Bom Retiro). E Porto, em Portugal, é uma cidadezinha pequena, antiga, mas com uma bela vista a beira do Rio Douro, e umas ruas estreitas cheia de casinhas multicoloridas. Vale ressaltar que andar de bondinho elétrico foi uma experiência maravilhosa, e também que o pôr-do-sol às margens do oceano Atlântico em Porto é um espetáculo divino (especialmente se você tem oportunidade de assisti-lo no seu aniversário, assim como eu tive). Entretanto, Paris foi meu lugar predileto, até o momento.

Faça um balanço desse intercâmbio até agora. Está correspodendo às suas expectativas?

Sim, está, e não me arrependo da escolha que fiz. Estou amadurecendo, me conhecendo melhor (talvez isso seja o mais importante de quando se cria asas), conhecendo lindos lugares, aperfeiçoando meu inglês, fazendo amigos de todas as nacionalidades, e também valorizando ainda mais minha terra e meus valores, pois aqui voce dá mais valor ao ambiente que cresceu.


Alguma dica para quem pretende se aventurar num programa de voluntariado no exterior?

Arriscar-se, é a melhor opção, pois somente depois de estar aqui você pode dimensionar o que estou dizendo.

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FAQ Intercâmbio de Trabalho Voluntário

30 nov

Tenho recebido vários emails pedindo informações sobre minha experiência em programa de voluntariado no exterior. Achei legal, então, fazer uma espécie de FAQ. Mas ressalto: cada experiência é pessoal e intransferível. Portanto, as repostas contidas aqui são sobre a minha própria vivência e minhas percepções individuais.

Festa no Delos Community

Quais recomendações você pode fazer sobre a escolha do país e do projeto?

Bom, aí depende o que você quer… A minha opção era algum lugar na Europa para treinar o inglês, então, sobrou a Inglaterra, pois queria muito mochilar pelo Velho Mundo. Nunca havia trabalhado com pessoas com necessidades especiais e foi uma experiência bem enriquecedora. Dificil em muuuitos momentos, mas se você tiver foco, saber aproveitar o momento, vai ser uma ótima experiência.  Não pense que vai poder fazer algo dentro da sua área de atuação; isso é muuuuito dificil. Na Inglaterra, a maioria dos projetos é pra trabalhar com pessoas com necessidades especiais. Vai ter hora que você vai estar de saco cheio fazer as mesmas coisas todos os dias, mas confesso que pra mim foram grandes férias esse intercâmbio. Estava há três anos com dedicação exclusiva ao mercado de trabalho e quando vi que já tinha R$ suficiente pra fazer essa viagem, pedi minhas contas e fui. Então, por mais que tivesse q trabalhar 38h semanais no projeto, nada comparado ao stress do mercado de trabalho. Além do mais, viajei muito e deu para curtir bastante, além de organizar minha vida longe de tudo e de todos. 🙂

Queria trabalhar em projetos localizados em grandes cidades como Londres ou Cambridge. Tenho esse poder de escolha?

Na verdade, você indica uma lista tríplice de projetos que lhe interessam. Dentre as opções indicadas por você, a Abic/ICYE vê o projeto que tenha vaga disponível e que melhor se adequa ao seu perfil. Há uma ínfima possibilidade de você ser designada para um projeto que não estava na sua lista tríplice, por questões de incompatibilidade para aquela época. Algumas pessoas se decepcionam com as cidades onde os projetos da estão localizados. Há dois anos quando fiz meu intercâmbio, só existia um projeto em Londres pela Abic (afastada da zona central), o que significa que a maioria dos projetos fica em cidades pequenas e interioranas. Como as grandes cidades, como Londres, Cambridge e Liverpool, são sempre as mais procuradas para o intercâmbio e, claro, nunca tem vaga pra todo mundo, o lance é escolher como segunda e terceira opção projetos em cidades próximas a esses grandes centros. O meu projeto ficava numa cidadezinha chamada Wellingborough, a uma hora e meia de trem de Londres.

E como era viver em Wellingborough?

Ah, é uma cidade pequena, sem grandes coisas pra fazer. Então, quando tínhamos folga (eu e os outros voluntários)

Barbecue no parque

sempre procurávamos fazer um passeio, sair pra noite (muito de vez em quando, porque lá era meio devagar nesse quesito), fazer caminhadas ou picnics nos parques, assistir filmes na casa de alguém.  A nossa sorte é que fizemos boas amizades lá, inclusive com uma gaúcha, a Dani, ex-voluntária da Abic que gostou tanto da Inglaterra que decidiu morar de vez lá quando conseguiu a cidadaina italiana. E como ela tinha carro, sempre que dava levava a gente pra fazer passeios pelas cidades vizinhas. Também tinha do Dawid, um polonês super gente boa que também adorava nos convidar para sair. Mas o que tentávamos fazer mesmo era juntar o máximo de folgas possíveis para  viajar sem ter que gastar nossos dias de férias. 🙂 Welingborough tinha uma vantagem: ficava bem na região central da Inglaterra, então, um lugar estratégico para viajar de trem pois fica no meio do caminho de tudo.

E como foi sua experiência em morar no próprio projeto?

Confesso que no início essa era uma das minhas principais preocupações. Sabia que alguns projetos ofereciam dependência à parte para os voluntários, enquanto outros só acomodações na mesma residência dos internos. Torcia para ser escolhida em um projeto com dependência à parte, mas fui parar no Delos Community, no qual a única opção era dividir casa com os internos do projeto. No geral, foi bem tranquila essa experiência, pois temos o suporte necessário do projeto no caso de qualquer imprevisto. E a casa em que você mora é local de descanso, não tem que cuidar dos internos da casa. O projeto diferencia muito bem essa questão: casa para morar e casa para trabalhar. E, embora não tenhamos muita flexibilidade em escolher onde morar, sempre temos avaliação com a pessoa contato dos voluntários dentro do projeto, que serve de porta voz das nossas reinvindiações. Então, se tiver algo incomodando, você pode recorrer a essa pessoa.

O pocket money deu pro gasto???

Como a acomodação é garantida pelo projeto, assim como as refeições durante o trabalho, você quase não tem gastos com despesas domésticas. Sobra dindin para viajar e foi com esse dinheiro que eu viajei por tantos países. A Delos tinha um pocket money bem generoso. Sim, cada projeto varia. A Abic/Icye nos dão um pocket money básico para todos, mas o projetos podem complementá-los se quiserem e o Delos praticamente dobrava nosso pocket. 🙂 Mas nem pensem em escolher um projeto por causa do pocket, hein? Isso é um tiro no pé, além de pegar muito mal! O importante é saber que, seja qual for o projeto, você terá condições suficientes para viver tranquilamente.

Voluntários em Nottingham

Quando comenta da falta de tempo para estudar, podemos comparar o tempo livre de um voluntário com o tempo livre de uma AuPair?

Não faço ideia de como funciona a carga horária de trabalho de uma AuPair, mas no meu caso, tinha que trabalhar 38 horas por semana. Praticamente uma rotina normal de trabalho: 5 dias de labuta e 2 de folgas e nem sempre os dias livres podem ser usufruídos consecutivamente. O bom é que o meu projeto permitia trabalhar direto para que acumulássemos folgas e pudéssemos viajar sem gastar os dias das férias. É tudo uma questão de negociação no projeto e de um pouco de organização. Outro ponto positivo no meu projeto é que tínhamos o direito de usar um dia de aula por semana como dia trabalhado. Ou seja, não precisávamos fazer aulas no nosso dia de folga, pois as horas de aula contavam como horas de trabalho. Mas, repito: a regalia era válida uma vez por semana apenas e o custo das aulas eram por nossa conta.

Mais informações:

ABIC – Perguntas frequentes

Matéria sobre Intercâmbio de Trabalho Voluntário na revista Época (25/10/2009)

Que tal fazer um intercâmbio sem sair de casa?

16 jul

Recebi esta semana um email da Abic – a associação pela qual fiz meu intercâmbio de voluntariado no exterior – e eles estão recrutando pessoas que moram na Grande Porto Alegre e em cidades vizinhas (Canoas, Sapucaia, São Leopoldo, Esteio, etc.) que queiram hospedar, voluntariamente, um dos jovens intercambistas (Europa e EUA) que chegam na segunda quinzena de agosto.

Esses jovens – a maioria na casa dos 20 anos – vão trabalhar como voluntários em projetos sociais da cidade e a maioria fica aqui de 6 meses a 1 ano, mas, de início, a Abic solicita apenas 3 meses de hospedagem – período para que tanto a família quanto o intercambista avalie se tudo caminha bem. Aí, se tudo estiver ok, o prazo é prorrogado.

A grande vantagem em hospedar um desses jovens é a de fazer um intercâmbio sem sair de casa. Isso inclui praticar uma língua estrangeira, conhecer outra cultura e apresentar a nossa, além de fazer novas amizades e estabelecer contatos internacionais.

Receba o mundo em sua casa

Receba o mundo em sua casa

Recebi aqui em POA, há duas semanas, uma amiga alemã, Jelena, que conheci no ano passado, durante o programa de voluntariado no exterior. Ela estava mochilando há cerca de dois meses pela América do Sul, visitando os países de origem de vários outros ex-intercambistas. Além do Brasil, Jelena passou pela Bolívia, Colômbia, Equador e vários outros lugares, graças à rede de contatos e de amigos que conseguimos estabelecer ao redor do mundo.

Além de receber uma amiga, a experiência foi boa para desenferrujar o inglês (sim, conversávamos em inglês! Nem português, nem alemão :D). Isso porque ela passou apenas três dias aqui em casa. Imagina se tivesse passado alguns meses! 🙂

Para quem se interessou…

A Abic agenda uma visita informativa no lar de quem deseja hospedar ou saber mais sobre o programa (sem compromisso).

Email: abic@abic.org.br

Fone: (51) 3779.5005

Depressão pós-intercâmbio?!

20 jun

Gente, sei que já faz dias que não atualizo nada aqui, mas é fim de semestre no mestrado e tá “pegando”. 🙂

Bem, outro dia estava conversando sobre “depressão pós-intercâmbio” com a minha amiga Janaína, colega de intercâmbio na Inglaterra. Sim, ela saiu do calor de Salvador pra passar o inverno todo em POA, fazendo um treinamento. Menina arretada essa! 🙂

Janaína, minha host em Salvador. Day after prova da UFBA.

Janaína, minha host em Salvador. Day after prova da UFBA.

Falávamos sobre casos de “depressão” que ocorrem tanto no período de adaptação no país estrangeiro quanto na volta ao Brasil. É, esse processo de desterritorialização da pós-modernidade deve confundir mesmo, gera crises de identidade, maldita liquidez! ;D

Há casos – acho que raros – de pessoas que chegam a desenvolver depressão profunda e tem que abandonar o programa para voltar pra casa. Nossa, que frustrante deve ser isso! Confesso que essa perspectiva não faz muito sentido na minha cabeça, ainda mais quando você sabe que é por um tempo limitado, como é o caso dos intercâmbios. Acho que porque sempre gostei de viajar, conhecer pessoas e lugares novos, culturas diferentes, enfim, respirar novos ares. Gosto desses desafios, então, acho que isso ajuda muito psicologicamente. 🙂

Mas não estou para julgar ninguém, looonge de mim. O curioso é que na volta pra casa esse baixo astral pode bater também. Tanto é que no nosso acampamento de preparação pré-viagem, fomos alertados sobre isso. Acho que pode ser comparado à famosa “depressão pós-férias”, voltar à velha rotina é sempre um processo.

Bem, não tive que passar por nenhum desses processos! E o que tenho a dizer sobre isso não é nenhuma novidade: manter a mente ocupada sempre (mente ociosa, oficina do diabo!) e ter planos e sonhos que te movam. O intercâmbio foi uma coisa bem planejada e o que eu queria fazer ao voltar também. A verdade é que o custo/beneficio do programa de intercâmbio de um ano é bem mais vantajoso do que de o 6 meses, mas optei pelo segundo porque queria participar das seletivas de mestrado ainda em 2008. Se ficasse um ano, voltaria só em janeiro de 2009 e teria que esperar até agosto, quando geralmente abrem os editais de seleção. Não, não ia rolar… Então programei minha volta pra última semana de julho.

Mas também foi aquela correria, pois alguns editais já estavam aberto quando cheguei, tinha que recuperar o tempo

Saindo da prova da UFF, em Niterói. De mochila e tudo! :)

Saindo da prova da UFF, em Niterói. De mochila e tudo! 🙂

que fiquei afastada dos estudos (quase 4 anos), viajar para as provas, fazer projetos, ler uns livros enooormes. Praticamente continuei viajando depois que cheguei da Inglaterra. Alguns dizem que arrumei a desculpa das provas pra viajar pelo Brasil XD. Bem, a verdade é que juntei o necessário ao agradável. Graças às provas, conheci o Rio de Janeiro e Salvador. Também passei por Sampa e por Poa, mas estas já eram velhas conhecidas minhas. Acabei estacionando a mochila em terras gaúchas. Por fim, deu tudo certo. Ufa!!!

Aí encontrei um email que enviei pra cúpula que tem um trecho que trata justamente disso. Queria compartilhar com vocês, não pra dizer que é necessário prever tudo na vida (como se isso fosse possível) e ter sempre metas a cumprir, mas pra mostrar o quanto é importante nós termos sonhos, objetivos e certa dose de planejamento também, porque, se não, o sonho pode virar pesadelo ou nunca passar de sonhos! 🙂

Bem, apesar de ter que trabalhar cinco vezes por semana, ter minhas obrigações, limite de ferias e dinheiro, esse período tem sido uma grande ferias, onde estou me dando ao luxo de não ter que aturar cliente chato e a pressão do mercado de trabalho. Minha única preocupação no momento é como vou fazer pra conhecer tantos lugares com os poucos dias de férias que ainda me restam… rsrsrsrsr

Poderia ficar aqui mais seis meses pra completar um ano e aproveitar pra conhecer mais a Europa, mas cada vez mais eu me convenço que é melhor voltar… Quero participar do processo de seleção dos mestrados ainda este ano pra ver se eu começo logo ano que vem. Só falta a ideia para um projeto bacana. Hahahahha Quem tiver alguma dica, por favor, estou aberta a sugestões. 🙂

Enfim… tá tudo muito bom, tá td muito lindo, mas não pretendo adiar meus planos de voltar no final de julho. 🙂

É isso meninas… Quero saber novidades de vcs tb ok?

Um grande abraço pra cada uma de vcs.

Programa de trabalho voluntário 2009/2010. Vai logo, maninha!

7 maio

Gente, (principalmente a galera que pediu informações sobre o meu tipo intercâmbio)

Recebi esta semana um e-mail da Abic informando que estão na reta final para fechar os programas de intercâmbio de trabalho voluntário para este ano. Então, quem quiser viajar ainda no segundo semestre de 2009 ou em janeiro de 2010 tem que se espertar!

Ah, só lembrando que, se o destino for Alemanha, Áustria, Bélgica, Reino Unido ou Nova Zelândia, os preços estão em condições especiais. Detalhe que é muuuuito importante pra quem quer aproveitar e mochilar pela Europa também. Afinal, de centavo e centavo, a gente pode até se dar ao luxo de despachar uma mala. 😀

Registro na Polícia?! Why? Ah, sou brasileira…

19 abr

Esse papel pode te custar 5 mil libras!

Esse papel pode te custar 5 mil libras!

Não roubei, não matei e nem mesmo tenho antecedentes. Ah, e também não fui pega com a mala cheia de lingeries. Por que tenho que fazer registro na Polícia? Porque nasci no Brasil e isso basta. Pow, mas ter essa cara de japonesa nessas horas não resolve? Heheh… Não!

Depois de penar pra conseguir um visto, você percebe que ele veio com uma observação em letras miúdas: “Police Registration within 7 days of Arrival”.

7 DAYS!!!! 7 DAYS!!!!

Depois dessa, você vai achar a maldição da Sadako ou da Samara fichinha! E olha que pelo menos elas ligavam avisando…

Explico: “Certain categories of persons” – palavras do próprio site do Metropolitan Police– precisam de registro na polícia, caso tenham a intenção de ficar no Reino Unido por mais de seis meses. Se passado o período de sete dias e você não se registrar, já pode ser considerado um ilegal no país.

E se eu não me registrar?

Sim, essa opção é uma roleta russa. Pode ser que não aconteça nada e que você passe sua estadia toda sem ninguém encher o saco por causa disso.

Ah, mas também se te pegarem, é bom que tenhas uma ótima desculpa pra dar, porque a maldição será terrível: passar uma temporada preso, ser deportado, ou pagar uma pequena multa de cerca de 5 mil libras, o que deve ser mais ou menos…. uns R$ 17 mil !!!!!! Aff…

Sadako ao saber da multa: 5 mil libras? Mas eu só cobro uma cópia e em VHS!

Sadako ao saber da multa: 5 mil libras? Mas eu só cobro uma cópia e em VHS!

E nem pense em perder esse registro!

Esse documento é tão importante quanto o seu passaporte. Aliás, é bom que eles estejam sempre juntos, pois a cada viagem fora da Inglaterra, você vai passar de novo pela imigração, ter que responder a mais algumas perguntas, e eles podem pedir o seu registro.

É bom lembrar que a cada mudança de endereço, você tem que atualizá-lo no registro. Acho que é pra monitorar o passo-a-passo dos imigrantes no país.

E se perder ou mesmo se for roubado, vai ter fazer outro registro e pagar de novo. Em 2008, quando eu fiz o meu,o documento custava 34 libras, mas aí o ICYE-UK arcou com essa despesa.

Ah, e o documento é timbrado e tem foto colorida, portanto, só vale o original ok? A cópia só convence a Sadako , a Samara e o Walter Benjamin. Hahahhha

Flashback – 12 dias na Inglaterra

12 abr

De vez em quando, como agora, por exemplo, vou postar aqui e-mails enviados para a família e para os amigos enquanto eu estava na Inglaterra, contando sobre meu trabalho de voluntária, minhas viagens e minhas percepções sobre a cultura e os lugares que visitei. Acho um recurso legal porque nada do que eu escrever hoje vai ser mais sincero do que eu escrevi na época do intercâmbio, vivendo o turbilhão de acontecimentos.

2 de fevereiro de 2008

Ola, Cupula!!!!!!!!!!*

Welcome Party

Welcome Party - Festinha que os voluntários do projeto fizeram pra me receber

Noticias da Inglaterra. 🙂 Vou logo adiantando que o computador daqui eh horrivel, nao tem acento, eh lento, lento, lento e ainda tem que ser dividido entre tds os outros voluntarios. Mas na medida do possivel, vou atualizando o flickr e mandando emails pra vcs. 🙂

Dei uma ajeitada no endereco do flickr ok? http://www.flickr.com/photos/erikaoikawa/

Wellingbourough, a cidade estou morando eh media, nem grande e nem pequena mas eh pertinho de Londres, uns 45 minutos de trem. Aqui ta frio, mas, mais suportavel do que eu pensava.

Ontem, nevou aqui !!! Eu tava no meio da rua qnd comecou a nevar. rsrsrsrsrsrsr Era igual uma chuva forte, mas ao inves de agua caia raspa de geladeira na gente. Mas era tao fina q derretia ao tocar no chao.

Vou trabalhar numa casa para velhinhas com problemas mentais. Tem uma que me assusta um pouco ainda pq ela fica gritando e de vez em quando tira a roupa.. Eh horrivel!!!! Eh serio!!! Mas de resto ta td ok.

Esta semana foi so de preparacao, mas semana que vem eu comeco o batente. A casa onde eu vou morar e trabalhar eh enooorme. Tem tres andares mais um andar “subterraneo”. La moram 9 internos – aqui eles sao chamados de membros. Tem uns funcionarios fixos, uma gerente, e 2 voluntarios q moram la, mas que trabalham em outras casas (o meu projeto tem outras tres casas residenciais, um escritorio principal e mais um centro de atividades. Os voluntarios se dividem em tds esses locais).

Por enqto estou em um hotel enqto um registo obrigatorio para trabalhar com pessoas especiais nao sai. Devo ficar no hotel, no maximo uma  3 ou 4 semanas, depois eu me mudo.

Uma das voluntarias daqui do  eu projeto eh a Janaina, uma goiana que mora ha tempos em Salvador. Tem fotos dela no flickr, ela me lembra a Ana Paula. rsrsrs Ela eh  bem legal e esta me dando umas dicas bacanas, pois ja esta aqui ha 4 meses.

Fora a Jana e eu, o meu projeto tem outros 3 voluntarios: o Ivan (da Colombia), a Passion (de Taiwan), a Celine (da Martinica, que mora ha anos na Franca). Td gente boa.

Estou ansiosa pra comecar a viajar!!! Terei mais dias de ferias do que pensava. Acho que vou comecar por aqui pelo Reino Unido mesmo e na medida em que o calor for chegando eu vou desbravando outros paises. 🙂

Meninas, eh isso!!!!

Me mandem email e facam comentarios no flickr. Quero saber de td o que anda sucedendo por ai ta? Sempre q possivel vou manter contato tb.

bjs.

Erika

*Cúpula é o grupo de seis grandes amigas da turma de 2000 de Comunicação Social da UFPA: Ana Paula (publicitária, hj faz mestrado no Ceará), Lylian (jornalista, fazendo doutorado em Pernambuco), Jéssica (jornalista no batente em SP, fazendo especialização na PUC-SP), Helaine ou “Sino” para os íntimos (jornalista, mestranda da Metodista-SP) e Jacqueline (publicitária, com milhares de especializações, concluindo agora o curso de jornalismo) e eu, que dispenso maiores apresentações, né? 😀