Tenho recebido vários emails pedindo informações sobre minha experiência em programa de voluntariado no exterior. Achei legal, então, fazer uma espécie de FAQ. Mas ressalto: cada experiência é pessoal e intransferível. Portanto, as repostas contidas aqui são sobre a minha própria vivência e minhas percepções individuais.
Quais recomendações você pode fazer sobre a escolha do país e do projeto?
Bom, aí depende o que você quer… A minha opção era algum lugar na Europa para treinar o inglês, então, sobrou a Inglaterra, pois queria muito mochilar pelo Velho Mundo. Nunca havia trabalhado com pessoas com necessidades especiais e foi uma experiência bem enriquecedora. Dificil em muuuitos momentos, mas se você tiver foco, saber aproveitar o momento, vai ser uma ótima experiência. Não pense que vai poder fazer algo dentro da sua área de atuação; isso é muuuuito dificil. Na Inglaterra, a maioria dos projetos é pra trabalhar com pessoas com necessidades especiais. Vai ter hora que você vai estar de saco cheio fazer as mesmas coisas todos os dias, mas confesso que pra mim foram grandes férias esse intercâmbio. Estava há três anos com dedicação exclusiva ao mercado de trabalho e quando vi que já tinha R$ suficiente pra fazer essa viagem, pedi minhas contas e fui. Então, por mais que tivesse q trabalhar 38h semanais no projeto, nada comparado ao stress do mercado de trabalho. Além do mais, viajei muito e deu para curtir bastante, além de organizar minha vida longe de tudo e de todos.
Queria trabalhar em projetos localizados em grandes cidades como Londres ou Cambridge. Tenho esse poder de escolha?
Na verdade, você indica uma lista tríplice de projetos que lhe interessam. Dentre as opções indicadas por você, a Abic/ICYE vê o projeto que tenha vaga disponível e que melhor se adequa ao seu perfil. Há uma ínfima possibilidade de você ser designada para um projeto que não estava na sua lista tríplice, por questões de incompatibilidade para aquela época. Algumas pessoas se decepcionam com as cidades onde os projetos da estão localizados. Há dois anos quando fiz meu intercâmbio, só existia um projeto em Londres pela Abic (afastada da zona central), o que significa que a maioria dos projetos fica em cidades pequenas e interioranas. Como as grandes cidades, como Londres, Cambridge e Liverpool, são sempre as mais procuradas para o intercâmbio e, claro, nunca tem vaga pra todo mundo, o lance é escolher como segunda e terceira opção projetos em cidades próximas a esses grandes centros. O meu projeto ficava numa cidadezinha chamada Wellingborough, a uma hora e meia de trem de Londres.
E como era viver em Wellingborough?
Ah, é uma cidade pequena, sem grandes coisas pra fazer. Então, quando tínhamos folga (eu e os outros voluntários)
sempre procurávamos fazer um passeio, sair pra noite (muito de vez em quando, porque lá era meio devagar nesse quesito), fazer caminhadas ou picnics nos parques, assistir filmes na casa de alguém. A nossa sorte é que fizemos boas amizades lá, inclusive com uma gaúcha, a Dani, ex-voluntária da Abic que gostou tanto da Inglaterra que decidiu morar de vez lá quando conseguiu a cidadaina italiana. E como ela tinha carro, sempre que dava levava a gente pra fazer passeios pelas cidades vizinhas. Também tinha do Dawid, um polonês super gente boa que também adorava nos convidar para sair. Mas o que tentávamos fazer mesmo era juntar o máximo de folgas possíveis para viajar sem ter que gastar nossos dias de férias.
Welingborough tinha uma vantagem: ficava bem na região central da Inglaterra, então, um lugar estratégico para viajar de trem pois fica no meio do caminho de tudo.
E como foi sua experiência em morar no próprio projeto?
Confesso que no início essa era uma das minhas principais preocupações. Sabia que alguns projetos ofereciam dependência à parte para os voluntários, enquanto outros só acomodações na mesma residência dos internos. Torcia para ser escolhida em um projeto com dependência à parte, mas fui parar no Delos Community, no qual a única opção era dividir casa com os internos do projeto. No geral, foi bem tranquila essa experiência, pois temos o suporte necessário do projeto no caso de qualquer imprevisto. E a casa em que você mora é local de descanso, não tem que cuidar dos internos da casa. O projeto diferencia muito bem essa questão: casa para morar e casa para trabalhar. E, embora não tenhamos muita flexibilidade em escolher onde morar, sempre temos avaliação com a pessoa contato dos voluntários dentro do projeto, que serve de porta voz das nossas reinvindiações. Então, se tiver algo incomodando, você pode recorrer a essa pessoa.
O pocket money deu pro gasto???
Como a acomodação é garantida pelo projeto, assim como as refeições durante o trabalho, você quase não tem gastos com despesas domésticas. Sobra dindin para viajar e foi com esse dinheiro que eu viajei por tantos países. A Delos tinha um pocket money bem generoso. Sim, cada projeto varia. A Abic/Icye nos dão um pocket money básico para todos, mas o projetos podem complementá-los se quiserem e o Delos praticamente dobrava nosso pocket.
Mas nem pensem em escolher um projeto por causa do pocket, hein? Isso é um tiro no pé, além de pegar muito mal! O importante é saber que, seja qual for o projeto, você terá condições suficientes para viver tranquilamente.
Quando comenta da falta de tempo para estudar, podemos comparar o tempo livre de um voluntário com o tempo livre de uma AuPair?
Não faço ideia de como funciona a carga horária de trabalho de uma AuPair, mas no meu caso, tinha que trabalhar 38 horas por semana. Praticamente uma rotina normal de trabalho: 5 dias de labuta e 2 de folgas e nem sempre os dias livres podem ser usufruídos consecutivamente. O bom é que o meu projeto permitia trabalhar direto para que acumulássemos folgas e pudéssemos viajar sem gastar os dias das férias. É tudo uma questão de negociação no projeto e de um pouco de organização. Outro ponto positivo no meu projeto é que tínhamos o direito de usar um dia de aula por semana como dia trabalhado. Ou seja, não precisávamos fazer aulas no nosso dia de folga, pois as horas de aula contavam como horas de trabalho. Mas, repito: a regalia era válida uma vez por semana apenas e o custo das aulas eram por nossa conta.
Mais informações:
Matéria sobre Intercâmbio de Trabalho Voluntário na revista Época (25/10/2009)



Trata-se de uma TV online, que traz vários mini-documentários contando histórias curiosas e emocionantes de brasileiros no Reino Unido. Como o próprio site diz: “O Canal Londres tem recolhido histórias destes brasileiros que, muito em breve, formarão um verdadeiro centro de pesquisas para quem quiser saber como é a vida de quem deixa para trás a família, os amigos e a sua cidade, para buscar uma nova vida, num outro país. Como os brasileiros estão se integrando à cultura britânica, o que fazem, como se divertem e como matam a saudade do Brasil é o que você fica sabendo no Canal Londres.”













